Meu querido amor, meu amargo amor. Aquele que jamais fora tocado, aquele que ninguém viu, ninguém tinha olhos de ver dentro. Seguro a flutuar acima das cabeças dos picos, inseguro no seu ritmo flutuantemente certo das coisas tolas. Meu querido amor, você esqueceu o copo de alegria com quem brindamos aquele dia, aquelas tardes, aquela cama, aquele jogo vazio. Você esqueceu suas vestes de elfo leve, livre, leve-as daqui para não terdes de andar nu pelos vastos campos das redondezas desperdiçando o teu mel.
Meu querido amor, meu coração não aprendeu nada com a tua liberdade, ele ainda se amarra a certos pilares milenares dos quais não ouso soltá-lo. Meus olhos não aprenderam a se fechar quando você sorri e, por isso, eles sofrem com o parto doloroso da indiferença gritante que fingem. Aliás, fingir tornou-se o meu único último recurso válido e, quando o fiz, fui vil, mas só o fiz por fazer-me selvagemente instintivo e instintivamente covarde.
Não sei ao certo porque te confesso essas coisas, meu querido amor. Vejo-te ir ao porto embarcar em outros muitos veleiros, todos sem rumo algum. Pois foi na minha caravela, que tinha rumo certo, onde naufragaste. Mas não estás morto, jamais estiveste, tens as sete vidas de um gato vezes setenta e soubeste nadar para a superfície onde o teu vento brisa e a minha água para.
Então voa, meu querido amor, vai até onde o céu te alcançar! Mas lembra-te de voltar para ver os mortais que ainda o amam. Sem gaiolas de ouro, cante para mim aquela música que você me fez... Quando nos casamos.
- Demorei, eu sei. Mas cá estou. Escrevi muito esses dias, boa parte dos textos incompletos. Desabafos, confissões. Como essa aí. Por isso não se surpreendam ou se zanguem se vierem "Confissão II", "Confissão III", é só questão de eu achá-los maduros o suficiente. Maria Bethânia tem mais que um dedo nesse texto, aliás é ela quem tem me posto para dormir. Quem quiser tentar não se arrependerá. Obrigado a todos que leem!
3 comentários:
Poesia na medida certo, lindo mesmo. Você está crescendo. (:
Profundo, marcante, reflexivo. As metáforas escolhidas com capricho. E fico feliz em saber que Bethânia está lhe inspirando :)
linda confissão
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